A Arte Xávega, um dos tipos de pesca tradicional da Nazaré, vai regressar ao areal da praia, aos sábados à tarde, entre 16 de Maio e 20 de Junho. Esta iniciativa, promovida pela Câmara Municipal da Nazaré, tem como principal objectivo promover a animação do areal da praia da Nazaré e a divulgação da cultura marítima local, através da recriação desta ancestral arte de pesca.
Levada a cabo por uma das companhas ainda existentes na Nazaré conhecedoras das lides da xávega, e enquadrada pelo belo cenário natural da enseada e do promontório da Nazaré, esta reconstituição transforma-se numa mostra dos rituais de um passado que se pretende preservar e dar a conhecer, não só aos visitantes, mas também às gerações mais novas.
À semelhança do que acontecia quando a xávega era uma arte de pesca ainda em uso, os pescadores lançam as redes de manhã, nas suas embarcações, em zonas específicas do mar, ao largo da costa, designadas por “lances” (conhecidos pelos pescadores a partir dos chamados enfiamentos dos sinais de terra e de mar).
À tarde, as redes são recolhidas, a partir de terra, por pescadores e peixeiras, naquele que é o momento mais emblemático da arte xávega. O peixe capturado é, posteriormente, vendido numa improvisada lota de praia (em frente à Praça Sousa Oliveira), reconstituindo também os antigos processos de venda, nomeadamente o “chui” – o sinal de compra do pescado.
A arte xávega caiu em desuso nas últimas décadas do século XX, devido a factores de ordem económica e social e, sobretudo, pelo avanço da tecnologia de captura de pescado. Todavia, os esforços conjuntos da autarquia, entidades locais e pescadores têm tentado preservar e reavivar esta memória, numa iniciativa que decorre desde 1995.
A realização da arte xávega está condicionada às condições atmosféricas e de mar.