O MENSAGEIRO

ROTA DOS MOSTEIROS PATRIMÓNIO DA HUMANIDADE

Tomar (Convento de Cristo), Batalha (Santa Maria da Vitória), Alcobaça (Cister) e Lisboa (Jerónimos). Este será o itinerário turístico para uma visita aos quatro Mosteiros inscritos na lista do Património Mundial da UNESCO, três deles situados na região Centro do País. E foi partindo dessa ideia que os respectivos municípios delinearam uma estratégia comum e avançaram com uma candidatura ao Programa Operacional Regional Centro, intitulada “Programa Estratégico – Rede de Mosteiros Património da Humanidade”. Contando com a parceria do Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico (IGESPAR), a candidatura foi já aprovada e prevê um investimento global na ordem dos 15 milhões de euros, durante os próximos três anos.

Apresentação
A apresentação oficial decorreu no passado dia 1 de Junho, na Torre de Belém, em Lisboa, numa sessão que contou com a presença dos vários parceiros e entidades associadas, presidida pelo ministro da Cultura, José António Pinto Ribeiro. O projecto, elaborado pelo Centro de Estudos e Desenvolvimento Regional e Urbano (CEDRU), incidirá nos mosteiros e nos espaços urbanos em que se inserem, focando os atributos da “identidade, atractividade, receptividade, interactividade, visibilidade e qualidade” que os caracterizam. Coordenados com outros pólos de interesse – como as paisagens naturais da Serra de Aire e Candeeiros ou o turismo religioso de Fátima – estes quatro monumentos oferecerão sobretudo uma mais-valia cultural à viagem, que deverá ser procura pelo investimento em várias vertentes: qualificação de espaços públicos, equipamentos e serviços turísticos, promoção de eventos e animação cultural, criação de roteiros de visita e interpretação e de uma plataforma digital da rede, divulgação e promoção do produto, entre outras acções de consolidação da cooperação inter-urbana.

Segundo o director geral do IGESPAR, Elísio Summavielle, “a visão estratégica do programa sintetiza-se no desenvolvimento de um projecto inovador, na criação de um produto singular, desenhado a partir da cooperação e complementaridade, que conduzirá à criação de um produto turístico-cultural de projecção internacional, destinado a reforçar a atractividade de Portugal e a visibilidade do seu património cultural e natural”. Isto é, aproveitar a importância que tem cada um destes monumentos isoladamente para formar um conjunto de excelência, uma “marca” turística que ganhe um peso global muito mais forte e que possa ser “vendida” mais facilmente, sobretudo aos turistas que procuram o turismo cultural. Daí que esta seja “uma oportunidade única para revitalizar o património, revigorar e redescobrir as cidades, regiões e tradições” destas regiões, garante este responsável.

Autarquias pedem IC9
Os presidentes das câmaras de Tomar, Alcobaça e Batalha tiveram oportunidade de apresentar a mais-valia do património dos respectivos concelhos. Tónica comum, a importância do investimento na preservação dos espaços conventuais, mas também da melhoria das zonas urbanas envolventes – algumas delas a necessitar de intervenção urgente a nível de recuperação de imóveis, embelezamento de espaços e construção de infra-estruturas de circulação – e ainda de promoção de outras ofertas turísticas locais, como outro tipo de património construído, a paisagem natural, a gastronomia, o artesanato, etc. Segunda tónica comum, a importância vital da construção do IC9 como via de ligação comum, e de cruzamento com o importante fluxo de turismo religioso que passa por Fátima. Em relação à Batalha, o presidente António Lucas defendeu também o urgente desvio do IC2 no troço que passa a 50 metros da fachada do Mosteiro, por onde passam diariamente cerca de 40 mil viaturas.

Também a vereadora da cultura da Câmara de Lisboa manifestou a importância da ligação dos Jerónimos a esta parceria, “potenciadora da partilha de recursos e de conhecimentos e, sobretudo, da oferta de uma animação cultural mais diversificada e completa”.

Gestão cultural integrada
A “parceria” foi a raiz e é a chave deste projecto, como salientou o ministro da Cultura na ocasião. “É preciso apostar, não apenas nos monumentos e suas envolventes, mas também na qualificação de pessoas e na promoção da cultura nesses espaços, de modo a oferecer um produto turístico de excelência ao nível nacional e internacional”, defendeu Pinto Ribeiro. Daí a importância do esforço conjunto, “que poderá dar uma outra escala à oferta que cada um individualmente poderia garantir e permitirá uma gestão integrada e conjunta do património”. Considerando que este trabalho pode ser “um exemplo para outras redes no País”, o ministro adiantou que está já elaborada nova candidatura do IGESPAR para os três mosteiros da região centro, “condenada a ser aprovada”, e que visa a intervenção directa em recuperação de espaços, iluminação de percursos e cenários, restauro de pedras, etc.

Quanto a prazos, a meta é a rede estar plenamente funcional em 2012 e o arranque, garante o ministro da Cultura, “já está em curso nalgumas das suas frentes”. Quanto ao avanço do IC9 e da variante ao IC2, reivindicadas pelos autarcas como “indispensáveis” para o sucesso deste projecto, Pinto Ribeiro apenas pôde garantir que “o Governo está atento a essas necessidades e o ministério das Obras Públicas conduzirá da melhor forma o processo”.