A relação entre Igreja, comunicação institucional e jornalismo esteve em destaque nas Jornadas Nacionais das Comunicações Sociais, que decorreram em Fátima, nos dias 9 e 10 de Setembro. Em resumo, foi sublinhada a experiência comunicacional da Igreja, juntamente à advertência para a tensão existente entre “o institucional e a comunicação”.
D. Manuel Clemente, presidente da Comissão Episcopal da Cultura, Bens Culturais e Comunicações Sociais, defendeu que o problema se regista ao nível institucional. “O desafio não é a comunicação em particular, mas o facto de ela vir de uma instituição, feita pelo colectivo, para mais quando é também transgeracional”, afirmou.
Este responsável, que é também presença frequente na comunicação social, sobretudo na Rádio Renascença e no programa televisivo ECCLESIA, considera que desde 1998 não existe um déficit de informação. Nessa linha, recordou os documentos, as cartas pastorais e as múltiplas comunicações informativas disponibilizadas pela agência ECCLESIA. No entanto, “falta um mediador que traduza e faça chegar às pessoas a informação”, concluiu D. Manuel Clemente, lembrando que “João Paulo II criou uma relação com as audiências e com o espaço mediático; mas essas pessoas não se planeiam, aparecem”.
O prelado apontou a síntese, a precisão e o profissionalismo como capacidades essenciais para se comunicar. Reconhecendo que em cada patamar eclesial “é bom que exista uma voz e um rosto, há também a necessidade de uma síntese”. “Para falar sobre a Igreja, há que estar cheio de Igreja, da sua cultura. Não se dá a opinião, e isso requer trabalho”, rematou.
Riqueza na diversidade
Também interveniente nestas jornadas, Octávio Ribeiro, director do jornal Correio da Manhã, destacou a “capacidade que a Igreja tem hoje de fazer comunicação livre e plural”. Por isso, acrescentou, “não percebo como não se pode ter êxito, seja num diário ou num semanário”. O jornalista sublinhou que “a pluralidade de vozes em que se reparte a Igreja Católica, as diferentes visões sobre as questões sociais, eventualmente sobre assuntos cerne, nomeadamente as que perpassam pelas palavras dos vários bispos, são uma grande riqueza”. Mas não deixou de referir que “por vezes, essas vozes têm de se unir”, lamentando o facto de “a Igreja não ocupar o espaço comunicacional que lhe cabe, o que leva à facilidade com que se deturpam as suas palavras”.
Importância a considerar
Na mesma linha, António Cunha e Vaz, director da agência de comunicação Cunha Vaz & Associados, recordou que a comunicação é hoje um dos instrumentos essenciais e “não lhe dar a devida importância é um erro”.
É também um erro a tensão hoje existente entre as pessoas num meio da comunicação, como seja a de “redacções reduzidas que têm de escrever o que os seus directores lhes mandam e condicionadas pela falta de meios técnicos e financeiros”. Este será um dos motivos para “um jornalismo feito à pressa, sem investigação e aprofundamento de determinada noticia”.
Sendo um facto, a comunicação institucional “tem de se adaptar a ele”, frisou António Vaz. “Antes de fazerem uma comunicação externa, as instituições devem ter em conta outros destinatários da informação, tais como os jornalistas, que são os comunicadores internos. Se falhar a este nível, a comunicação não é eficaz, porque aparece distorcida e incompleta”.
No caso da Igreja, este responsável defendeu que “faz falta à Igreja um trabalho de base, feito por jornalistas”. “A Igreja Católica deve saber quais as ânsias comunicacionais das populações na sua área de intervenção e deve dar-lhes resposta adequada”, concluiu.

Deixe uma Resposta